quinta-feira, 7 de maio de 2026

Carta Rasgada (Fragmento Encontrado)


Não é sobre o que você faz para ser, mas sim o que faz sendo. Porque nunca disseram para fazer o errado no lugar certo, e sim o certo no lugar errado. E o que é a libertação, senão desfrutar dos direitos que já são garantidos por natureza? 
 Quantas perguntas com respostas não definitivas  e tampouco clarificadas. Diante do fato de que é preciso se explicar, justamente sobre o que se fala o tempo todo. É natural do ser humano: esconder-se nas camadas do viver, na sede do poder, no poder ser o que não sabe ser, na tola exuberância de pensar que é. Ah! Quantas infâmias, falas dolentes, tão distantes do bom senso que nem se envergam porque não se dobram perante o então, algo que já se perdeu no caminho. Embrenham-se num emaranhado de mofo que outros fingem não ver, para não contrariar o ser, na prática vil do paparicar. Todo mundo “artista”, encenando ridiculamente o tempo todo. Esse poder  que é, ou tenta ser, aquele que tem segue o jogo, acreditando que ninguém sabe da sua vida, das suas merdas fedidas. 
 Nota ao final do fragmento: Este texto é parte de uma carta rasgada, encontrada no bolso de uma calça jeans. Procura-se a outra parte, pois atrás deste pedaço, alguém escreveu com letras garrafais: “OS FILHOS DAS PUTAS JOGAM COM A VIDA DOS OUTROS.” Este pedaço chegou até você porque alguém espalhou os fragmentos, mantendo-se no anonimato. Se por acaso decidir passar adiante, preserve o anonimato. Para resguardar quem lhe enviou.

AUTOR. Vicente Zaki

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